Publicado por: Big_DJouse | setembro 30, 2011

Sobre Amor

Ela estava sentada à mesa, meio que nervosa. Depois de tanto tempo, ainda se sentia desse jeito perto dele. Todo jantar entre os dois era assim: ela se sentia acuada, meio que uma presa diante do predador. Só depois de uma taça de vinho e um pouco da conversa irresistível dele, ela relaxava. E a partir daí era tudo maravilhas: a troca de olhares, seus galanteios, às vezes alguma dança lenta, os beijos, carícias e, quase sempre no fim, a noite de amor.

Já havia um tempo que estavam nessa espécie de rotina. Quando pensava bem sobre ele, às vezes percebia que o conhecia muito pouco. Mas não importava. Estava tudo perfeito. Ele era perfeito. Com um pouco mais de tempo ele se abriria. Não fora ele mesmo quem prometera isso a ela? Para que pressioná-lo e arriscar estragar tudo?

Ela bebeu mais um pouco do vinho. O jantar estava, como sempre, impecável. Só ele que parecia diferente naquela noite. Ela não conseguia dizer o que era. Nunca conseguia.

― Você está preocupado com alguma coisa? Você está meio que estranho hoje.

― É que hoje é uma noite especial para mim.

― Verdade? Por quê?

Ele segurou a sua mão. Seus olhos castanhos a fitaram profundamente. Ele ficou ali parado, como se estivesse reunindo as palavras para dizê-la. O breve silêncio que se seguiu deixou-a apreensiva. Ele perguntou, então:

― Você me ama?

Não era o que esperava. Na verdade, nem sabia o que esperava. Aquela pergunta parecia… errada naquele momento. Se ela o amava? Ele era perfeito. Simples assim. Ela pensou nas suas qualidades, nos momentos que passaram juntos. Era, por mais clichê que fosse, um belo conto de fadas. Que mulher não se apaixonaria?

Mas… ela o amava? Aquela pergunta tão inoportuna fê-la perceber que faltava algo. Ela o admirava, estava apaixonada até, mas… não, amor não. Não saiba o porquê. Não sabia dizer se faltava alguma coisa ou se era mera questão de tempo. Só sabia da resposta daquela pergunta:

― Eu… não te amo.

Ele ficou surpreso. Baixou o rosto, talvez decepcionado. Ela emendou em seguida, se desculpando:

― Olha, você é maravilhoso. É carinhoso, gentil…

― Eu fiz algo que lhe desagradou?

― Não! O problema é comigo. Você é… perfeito.

Ele a olhou em dúvida.

― Entendi. Você me acha perfeitinho demais. Talvez até entediante.

― Não, não! Não disse nesse sentido. Pelo menos para mim, você é perfeito de verdade.

Ela colocou uma ênfase especial no “de verdade”. Seus olhos a fitaram. Não parecia triste ou decepcionado. Parecia meramente interessado. Ele perguntou:

― De verdade? Mas então, por que não me amas?

― Eu… eu não sei. Acho que talvez no futuro, quando nos conhecermos mais…

― Não, minha querida.

― Como?

Ele agora sorria. Mas não o sorriso que ela conhecia. Era um sorriso cínico, torto. Não era ele.

― O amor não necessita de tempo para nascer. Se você não me ama agora, dificilmente me amará.

― Como você pode ter certeza disso? Por que isto agora? Não estou entendendo nada.

― Já vivi muito tempo para saber disso. Ah, minha cara. Tanto tempo procurei por alguém como você. Alguém com capacidade de entender…

Ela começou a ficar assustada. Ele estava estranho naquela noite, falando coisas sem sentido.

― O que há com você? O que aconteceu?

― Eu repeti esta mesma pergunta a várias mulheres. Todas, sem exceção, deram-me a mesma resposta. Todas elas, sem exceção, disseram-me que me amavam, completamente, incondicionalmente.

“Todas elas estavam igualmente cegas. Não conseguiam diferenciar amor de paixão. Mas não você, minha querida. Você, indubitavelmente, está apaixonada por mim. Seu olhar, sua voz, suas ações, tudo me dá sinais claros disto. Foi para isso que eu tenho sido, como você mesmo disse, perfeito. No entanto, tu disseste que não me amavas.”

Ela ficou parada, encarando-o. Seu jeito de falar estava estranho, meio que arcaico. Não , não era ele.

― Já amou alguém?

― S-sim, mas não entendo o que…

― Tem certeza?

Ela não respondeu. Já estava bastante confusa. Ele tomou sua mão. Disse-lhe então com paciência:

― Vês? Nem mesmo tu sabes se não confundiu paixão com amor. Todos fazem isto, minha cara. Pois amor nada mais é que uma mistura de resignação e paixão. Nada mais que isso.

― Então o amor não existe? É isso que você está quer provar?

Aquele sorriso estranho surgiu mais uma vez em sua face.

― Provar? Não, não. Você só acreditaria em mim se começasse a ver com os meus olhos.

Ele beijou a mão dela e a pousou suavemente na mesa. Levantou-se e foi até ao seu lado, deslizando seu indicador pelo braço dela. Os dedos dele passaram pelo seu colo e finalmente afastaram os longos cabelos negros que escondiam seu pescoço. Ela deu um risinho nervoso.

― Isso é alguma brincadeira, por acaso? Eu já estou ficando assusta…

Ela não teve tempo de terminar. O que se seguiu depois foi tão rápido que ela não pôde reagir. Ele afastou a cabeça dela e cravou suas presas em seu pescoço. Em instantes, dois filetes de sangue surgiram descendo lentamente pelo seu colo, até finalmente unirem-se e desaparecerem em seu seio.

Sentiu um êxtase, um prazer que só conhecia no sexo, impossível de resistir. Porém, ela estava desesperada, lutando para se livrar daquilo. Era capaz de sentir sua vida se esvaindo, fluindo para aquelas presas cravadas em seu pescoço.

Então, quando já pensava que não iria suportar mais, ele parou e a soltou. Com um só movimento de seu braço, jogou a pesada mesa para longe. Ela só pôde escutar o barulho da mesa se chocando contra a parede, a louça quebrando. Ele puxou a sua cadeira para bem próximo dela e sentou-se bem na sua frente. Foi então que ela sentiu verdadeiro terror.

Não era o seu sorriso, agora vermelho, cínico, monstruoso. Não era seu rosto pálido, sem vida, sem traço de humanidade. Eram os olhos. Os olhos mortos dele tentando fingir vida. Quando ela o encarou, sentiu um medo instintivo, irracional. Seus olhos diziam que o fato dele estar ali era um absurdo, uma afronta à realidade. No entanto ele estava mesmo ali, como que debochando da Natureza e das leis de Deus.

― Você vai morrer, mas não agora ― prosseguiu ele calmamente, com se estivesse tratando de algum assunto frívolo.

Tentou se acalmar, tentou pensar. Precisava sair dali, fugir. Diabos, por que não conseguia se mexer?

― Eu tirei o suficiente para deixa-la quieta. Precisamos conversar. Preste atenção no que irei lhe propor, pois você não tem muito tempo.

― Por que eu?

― Evite falar. Guarde para quando for me dar uma resposta. Apenas escute.

Ela aquietou-se. Evitava olhar para ele.

― O porquê de te escolher, já disse. Dentre várias, você é a única que pode entender o que quero fazer.

“Já vivi alguns séculos, minha querida. Já vivi muita coisa na minha não-vida. Quando você passa tanto tempo andando nesse mundo, começa a perceber como certas coisas são pequenas, sem importância. Vocês, mortais, são um bom exemplo. Vivem se matando, se destruindo enquanto tentam erguer suas frágeis vidas em cima de sentimentos tão quiméricos quanto o amor. Ah, se vocês pudessem olhar as coisas pelo meu ponto de vista… poderiam aprender tanto…

Ele parou por um instante, olhou de lado, talvez tropeçara em alguma memória. Se antes ela nunca sabia dizer o que ele estava sentindo, agora era impossível. Ele prosseguiu:

― Bem, nada de lições. O tempo é melhor professor que eu. A única coisa que você deve saber por enquanto é que a imortalidade é uma maldição. Uma maldição de puro e simples tédio.

“Depois de tanto tempo, nada mais te atrai. Manipular vocês, por exemplo, foi uma grande diversão minha em alguns séculos. Mas ficou tão fácil, tão simples, não é mais divertido.

“Ah sim, minha querida, foi isso que fiz com você. Se você ainda não deduziu, o que muito duvido, eu fingi minha paixão por você. Planejei isto tudo, meticulosamente. Cada palavra, cada gesto, cada olhar foi pesado cuidadosamente, como um ingrediente de uma fórmula secreta para deixa-la apaixonada por mim.”

Ela escutava tudo. Foi do medo ao nojo, asco. Quando se lembrou de como ele era, tão doce, tão amável e soube que aquilo era pura encenação, começou a sentir ódio. E agarrou-se a esse sentimento, tal qual um náufrago que se agarra a uma boia. Seu ódio foi crescendo, à medida que pensava em tudo que ele estava lhe fazendo.

― Mas, como ia dizendo, minha não-vida é apenas uma luta constante contra o tédio. E você, minha cara, irá me ajudar nesta luta. Quero que você seja minha companheira.

Ela esboçou um sorriso. Se pudesse, daria uma gargalhada. Falou, já com certa dificuldade:

― Agora… você está… se contradizendo, não?

Ele deu-lhe novamente aquele sorriso medonho.

― Ah, não, não me interprete mal. Não quero que você seja minha esposa durante a eternidade. Não sou nenhum tolo romântico, muito longe disso. Outras antes de você desejaram viver suas não-vidas ao meu lado, tamanha era a cegueira do amor que lhes instiguei. Por isso eu as matei. Não serviam ao meu propósito.

Então ele matava mulheres pelo simples erro de amá-lo. Deus, que tipo de monstro estava diante dela?

― Você, ao contrário, não se deixou cegar pelo amor. Por isso você é a escolha perfeita. O que eu quero de você é seu ódio. Foi por isso que te escolhi, assim que me respondeu aquela pergunta.

“E minha escolha foi finalmente feliz. Eu vejo ódio em seu olhar, um ódio que será cada vez maior. Você vai tentar me matar, me destruir, me fazer sofrer. Eu, é claro, me encarregarei de evitar que você consiga realizar este feito. Diga, não é um excelente modo de afastar o tédio?”

Então, aquilo tudo era só para distraí-lo? Ah, ela já o odiava. E se odiava também, por fazer justo o que ele queria. Ela sentia sua vida se esvair. Sabia ao certo que estava a minutos, talvez segundos de se encontrar com a morte.

― Por que você… simplesmente não se mata, monstro?

― Mas estou fazendo isso. Veja: se você me matar, eu venço. Se você morrer, bem, ao menos eu me diverti. Não é brilhante?

― Covarde! ― seu grito saiu fraco, quase um sussurro. Estava cada vez mais fraca. Só podia estar consciente por algum efeito daquele monstro sobre ela.

― Sei o que quer dizer. Deves estar pensando: por que ele não se suicida? Por que ele me envolveu neste jogo sádico? Infelizmente, há outras questões em jogo, querida. E se quer saber quais são, tem que entrar no jogo. São as regras.

Ele levantou o rosto dela, já tão pálido quanto o seu e olhou bem nos seus olhos:

― Já é hora. É engraçado dizer isso depois de tanto tempo, mas realmente gosto de você. Por isso lhe darei uma escolha: você pode morrer agora e descansar para sempre ou pode morrer agora e depois me caçar pela eternidade. O que deseja fazer, meu amor?

Então ali, no fim, ela ficou surpresa ao descobrir que amava viver. Descobriu que desejava viver, mesmo que uma maldita imitação de vida. E ficou cada vez mais ciente de seu ódio por aquele demônio que iria tirar seu bem mais precioso. Não foi difícil escolher, mesmo sabendo do inferno a qual aquela escolha poderia (e fatalmente iria) levar. Reuniu seu último fôlego e disse, com uma voz firme:

― Eu aceito. E juro, pela minha vida que você acaba de tomar, que vou matá-lo.

Ele sorriu. Mordeu o próprio pulso e deixou um filete de sangue gotejar em sua boca, já sem vida.

― Que assim, seja minha querida. Que assim seja.

PS: Essa história surgiu na minha cabeça como uma espécie de protesto contra a saga Crepúsculo. Pra mim, é assim que um vampiro tem que ser.

Publicado por: Big_DJouse | fevereiro 9, 2011

Sobre idéias

Sabe o que estou com vontade de fazer?

Jogar fora um monte de bobagens que escrevi por aqui e recomeçar tudo. Bem, recomeçar não, que eu iria salvar os pouquíssimos posts de que me orgulho.

Por enquanto é só uma idéia.

Publicado por: Big_DJouse | setembro 20, 2010

Sobre o Voto de Protesto

Imaginem a seguinte situação:

Você chega em um restaurante fino e espera pelo cardápio. O garçom traz e fica aguardando seu pedido. Você olha o menu e, para sua surpresa, todos os pratos são apenas fezes de diversos animais, batizadas em um belo nome francês.  Sorte sua que você sabe francês e percebe o que ia ingerir antes que fosse tarde demais. Você pergunta que diabos é aquilo para o garçom e ele te diz na cara de pau que é o menu. Você discute, diz que aquilo é imoral, mas o garçom, impassível, afirma que o errado da história é você. O que você faria nesta situação, caro leitor?

A – Sairia dali e depois procuraria um procon ou vigilância sanitária para prestar uma queixa;

B – Diria em voz alta para todos os presentes escutarem: “Isso é um absurdo! Irei protestar contra esta loucura!”. Logo em seguida você mesmo defecaria no seu prato e consumiria suas próprias fezes.

Uma pessoa de mente sadia escolheria a opção A. Ou talvez simplesmente fosse embora do restaurante e nunca mais pensaria no assunto. O que não dá pra engolir (literalmente) é a opção B.

Pois vejam, caros leitores, é esta a minha visão de quem faz o maldito “voto de protesto”. Como é que alguém considera todos os candidatos ruins e, por protesto, vota no pior deles? Nenhuma lógica consegue sustentar essa sandice.

Se você não gostou de nenhum dos candidatos, por favor, vote nulo. Esta opção existe justamente para isso. Concordo com você quando não quer colocar no poder alguém sem comprometimento com o povo. Mas querer colocar alguém sem preparo e, com talvez igual falta de comprometimento, é tolice.

Se está cansado das eternas sacanagens da política, proteste. Mas proteste de verdade, não jogando no lixo aquilo que pode ser a única forma que tens para mudar este cenário (embora eu duvide disto). Proteste de verdade, fazendo algo que possa, de fato, melhorar, e não piorar as coisas. Se você quer cometer suicídio, regredir, vá em frente. Mas não me leve junto. Nem a mim, nem ao meu país.

Publicado por: Big_DJouse | setembro 7, 2010

Sobre os Karates Kids

Eu disse em algum post atrás que não gostava dessa onda de remakes de roliúdi. Mas exceções existem. A nova versão de Karate Kid tá aí para provar o que digo, ou melhor, me contradizer.

Vi pela internet alguns comentários dizendo que o primeiro filme é irretocável, perfeito. Que o Sr. Miyagi é insubstituível e etc. Que marcou uma geração e é lindo e outros elogios rasgados. Para mim, tudo isso não passa de saudosismo.  Assisti os dois filmes para compará-los e achei o mais recente, deste ano, superior ao original, de 1984.

Não me leve a mal. O filme de 1984 tem grandes qualidades. Boa parte dos elogios dali de cima são, de fato, merecidos. Afinal, se não o fosse, não teríamos remake. Mas muita gente defende o antigo com unhas e dentes porque o filme os marcou quando eram crianças. Simplesmente acham uma profanação comparar o novo com o antigo, sem mesmo ver o novo e, de fato, compará-los. Isso é tolice.

Pois bem, vou fazer minha breve comparação:

Enredo – é idêntico nos dois filmes. Mas a mudança na vida de Dre Parker é mais impactante que aquela na vida de Daniel Larusso. Ele está em outro país,  a China.  De repente ele se vê mergulhado em outra cultura completamente diferente da sua. Seu isolamento é maior. Isso aumenta muito o drama de sua situação, bem como serve de fonte de muitas situações cômicas.

Sr. Myagi/ Sr. Han – O Sr. Myagi marcou gerações, mas prefiro o Sr. Han. A história  dele é mais trágica e dá vida a uma das mais belas cenas do filme. Cena essa que não existe no de 84. O Sr. Han também aprende uma forte lição com seu aluno, ao contrário do Sr. Myagi, que tem apenas o papel de mestre. Nada tem a aprender, só a ensinar. Ao meu ver, o elo entre aluno e mestre no filme de 2010 é bem mais forte. Ponto para o novo filme.

Karatê / Kung Fu – Acho que ambas as artes marciais tiveram suas filosofias bem empregadas e exibidas. Minha preferência pelo Kung Fu, no filme de 2010 é puramente estética. As lutas são mais belas. Basta ver as cenas do torneio, o quanto elas ficaram empolgantes.

Treinamento – Mais uma vez, ponto para o Sr. Han. O treinamento do Sr. Myagi é mostrado apenas como exótico. Fica apenas implícita a lição de que a arte marcial não serve apenas para lutar, mas sim para tudo na vida. Já o Sr. Han passa a mesma lição  e ainda ensina Dre a respeitar sua mãe durante o treino do casaco. E, sejamos honestos , a cena onde o Sr. Han finalmente mostra os frutos do treino a um embasbacado Dre é emocionante. Deixo aqui a frase que ele diz nesta cena: “Kung Fu está em tudo o que fazemos. Na forma como vestimos o casaco e como tiramos o casaco. Na forma como tratamos as pessoas. Tudo é Kung Fu.”

Sim, o treinamento de Dre é bem mais puxado que o de Daniel San. Mais um ponto para o Sr. Han.

Técnica do Grou / Wu Wei – O golpe final que finaliza (sério?) a luta final. São diferentes nos dois filmes. No original, Daniel-san vê o Sr. Myiagi executar a técnica do Grou e aprende sozinho, para aplicá-la na sua última luta (sim, é aquele golpe da águia que você provavelmente se lembra). Isso mostra o quanto ele amadureceu, etc e etc. Já no remake, Dre vê uma praticante de kung fu domando uma cobra sem fazer praticamente nada. O Sr. Han lhe ensina então o princípio do Wu Wei, o não agir. Do mesmo modo, Dre aprende sozinho como aplicar essa técnica de “controle” (muito sutilmente) e a aplica no seu golpe final. A mesma coisa nos dois filmes. Só comentei sobre isto porque tem gente que não percebe o detalhe de Dre “controlando” o garoto no novo filme e pensa que a cena ficou inferior.

Trilha Sonora – As músicas da década de 80 são superiores a Lady Gaga e Justin Bieber. Fato. Pelo menos a favor do remake temos AC/DC. Mas quando  analiso a trilha sonora “de verdade”, que no original foi feita por Bill Conti (o mesmo de Rocky) eu prefiro a do remake. Temos um empate, então.

Tem mais detalhes que me fazem preferir o segundo, mas vou parar por aqui. Fica a conclusão de que o remake do Karate Kid é um ótimo filme. Se você não gostar, pelo menos não vai ficar a sensação de que ele “estragou” o original. Bem, pensar isso já seria tolice, afinal o original continua no lugar intocável dele.

Publicado por: Big_DJouse | agosto 25, 2010

Sobre o scrobbler no Audacious (Ubuntu Lucid)

Edit: Ao que parece, a dica abaixo não está mais funcionando (links quebrados). Tentem essa aqui, então: http://pqp.me/4j8

Faz alguns meses que fiz o upgrade para a versão mais recente do ubuntu atualmente (Lucid Lynx). Tava tudo bem no sistema, não fosse dois pequenos incovenientes: o audacious não dar mais suporte ao scrobbler e a tela de boot nova não se dar bem com meu driver de vídeo (adianto logo que a culpa é do driver, um SiS).

O segundo problema tratarei em algum outro post. Aqui vou falar como resolvi o primeiro. Para quem não conhece, o scrobbler é um plugin presente em vários players que enviam, automaticamente, o que você anda escutando para sua conta do Last.fm. Gosto bastante desse recurso, sendo ele o principal responsável por eu possuir um perfil lá no Last.fm. Já o audacious é um player para Ubuntu sem muitas frescuras, parecido com o winamp das antigas.

Pois então, no Lucid, ou melhor dizendo, na mais nova versão do audacious, o scrobbler não está mais presente. Claro que procurei uma maneira de contornar o problema. E como quem procura acha, eis a solução:

cd ~
wget http://fly5.kapsi.fi/misc/misc/aud2scrob/lastfm.so
wget http://fly5.kapsi.fi/misc/misc/aud2scrob/scrobbler.so
mv lastfm.so scrobbler.so ~/.local/share/audacious/Plugins/

Em resumo, só baixar os arquivos dessas duas páginas acima e copiá-los para a pasta de plugins do audacious. Bem simples, não? Pois é,  fui tentar:

scrobbler rage

Exatamente, caros leitores, a dica não funcionou. Sem solução, tentei achar alternativas ao audacious. Cheguei a usar o qmmp, que é até legalzinho e possui o bendito scrobbler. Porém, o scrobbler do qmmp funciona de maneira estranha: ele envia a música que você escuta assim que inicia a execução da mesma. Não importa se você mudou a faixa no segundo seguinte, aquela música vai parar lá no seu perfil.

Claro que não gostei muito dessa história. Então, fui pesquisar novamente sobre o scrobbler do audacious, para ver se existia alguma solução nova. Foi aí que vi com mais atenção a página onde encontrei a solução acima. Nela você verá, se não for tão afoito quanto eu fui, que esse plugin não funciona em sistemas 64 bits. Nesse caso, você terá que utilizar estes arquivos aqui. Só copiar para a pasta de plugins do audacious. A pasta é, como já mostrada no exemplo acima, ~/.local/share/audacious/Plugins/ , onde ~ é a pasta do seu usário em /home (em sistemas linux, ~ representa a pasta do usuário corrente). Depois disso, só  aproveitar:

scrobbler fuck yeah

Como você pode ter percebido, o ícone do plugin não aparece no menu, mas isso não compromete nada no seu funcionamento.

Publicado por: Big_DJouse | agosto 2, 2010

Sobre Ubuntu

Depois de três anos usando Ubuntu (ou Urubu, como ela carinhosamente chama), decidi falar um pouco sobre ele. Decidi também  largar algumas dicas por aqui de tempos em tempos. Nada muito técnico, só algumas dicas que tive dificuldade de encontrar e que desejo partilhar e até mesmo deixar como referência para mim mesmo.

Mas primeiro vamos falar sobre o Ubuntu. Pra quem ainda não sabe, o Ubuntu é  uma distribuição Linux, que por sua vez trata-se de um sistema operacional. Sabe o windows? Pronto, é algo parecido. É como se fosse um grande programa que gerencia seu computador e te permite trabalhar nele, simples assim. O Ubuntu, se não for a distribuição Linux mais usada, acho que é a mais popular. Mas o que tem de tão atrativo nele?

Na verdade, tudo é questão de gosto. Acho que todo aquele que gosta de informática e procura ser algo mais que um usuário comum deveria instalar um Linux no seu pc. O simples fato de mexer no sistema pode se tornar uma diversão, além de ser um ótimo aprendizado. Já aquele usuário  final, que quer só uma internetzinha, um processador de texto e pronto, não sei. Nesse caso, só o gosto é quem pode decidir.

Vou citar algumas vantagens e desvantagens entre os sistemas Ubuntu e Windows. Nada muito técnico, só alguns detalhes do sistema que acho que o deixam melhor que o seu concorrente. Eu não quero defender um sistema ou  outro. Quero informar para facilitar a escolha.

Vamos às vantagens do Ubuntu:

  • É gratuito. Bem, aqui no Brasil, onde a maioria tem uma versão pirata do windows rodando no pc, acho que isso não influencia muito. Mas se te interessa estar na total legalidade, o Ubuntu é a solução.
  • É mais seguro e estável. Mas convém explicar melhor isso. Bem, qualquer sistema operacional mais recente é mais seguro e estável que o Windows XP. Mas se compararmos com o Windows 7, o negócio muda. Acho que o Ubuntu e o Win 7 estão bastante equilibrados neste quesito. Não tenho nenhum dado técnico sobre isto, mas é o  que pude observar até o momento na minha máquina. Porém, um ponto positivo à segurança do Ubuntu é que ele não é o alvo da esmagadora maioria dos malwares. E, convenhamos, não existe sistema operacional seguro o  bastante, principalmente quando aquele que o usa não toma nenhum cuidado.
  • Terminal. Sim, estou falando daquela maneira de usar a máquina através de comandos numa tela preta. Acha isso coisa do passado? Pode até ser, mas não há como argumentar que o terminal é a maneira mais rápida de realizar operações na sua máquina. Como exemplo, me responda o que é mais rápido: abrir um gerenciador de arquivos, selecionar todos os arquivos em uma pasta com uns dois cliques, dar um ctrl+c, selecionar uma pasta nova e dar um ctrl+v ou simplesmente digitar: “mv * /nomeDaNovaPasta”  ? E com o terminal do Ubuntu, dá pra se fazer tudo, mas TUDO mesmo. Se você se dedicar a aprender a usar esta ferramenta, vai conseguir acelerar bastante  as tarefas do dia a dia.
  • Customização. Ok, eu sei que existem programas para o XP e o 7 que mudam a cara do desktop e da decoração de janelas. Porém , no Ubuntu, isso já é uma opção do próprio sistema. Você pode modificar tudo nele. Tudo mesmo. Decoração das janelas, ícones, barra de programas, menu de aplicações, etc. E fazer essas modificações pode se tornar uma diversão. Experiência própria.
  • Organização do menu de aplicações. Você já instalou vários programas no XP? Já perdeu alguns segundos tentando localizar aquele programa no menu iniciar? Já foi forçado a encher teu desktop com atalhos para os programas que mais usa? Pois é, no windows 7 dá pra aliviar um pouco esse problema, mas ele ainda existe. Já no Ubuntu, os aplicativos são divididos em categorias, que te permite localizar rapidamente um programa de acordo com  a categoria na qual ele pertence. Pode ser algo bobo, mas ajuda no dia a dia.
  • Pacotes! Ah, essa é, eu acho, a principal vantagem do Ubuntu. O sistema de  pacotes é algo perfeito. Quer instalar algo no XP e no 7? Você vai ter que procurar o programa, baixar, executar um instalador, para só então poder usar o programa. Sabe como é no Ubuntu? Abre um terminal e digita: “sudo apt-get install nomeDoPrograma -y”. Pronto. O sistema se encarrega de procurar, baixar e instalar o programa para você. Simples assim. Não gostou da idéia de usar o terminal? Não tem problema, tem uma versão em modo gráfico. É um programa que oferece um menu com os programas para você baixar e instalar facilmente.  E tem mais outra vantagem: sabe quando assim que você abre aquele seu antivirus/leitor de pdf/winamp/qualquer outro programa  e ele pede para fazer seu update no windows? Chato pra caramba, né? Pois é, no Ubuntu, quando o sistema avisa que existe updates (naquele mesmo esquema do windows update), o sistema atualiza TODOS os teus programas. Você não precisa fazer update programa por programa. É perfeito. Claro que às vezes é preciso informar ao sistema onde procuras pelos programas na internet. Isso é feito adicionando-se repositórios e é uma tarefa bem simples. Repositórios são sites na internet que armazenam os programas que serão baixados e instalados pelo sistema.

Agora, vamos às desvantagens:

  • Hardware. Drivers costumavam ser um sério problema para as distribuições Linux. Hoje ainda é um problema, mas houve uma melhora bastante significativa. É difícil, mas você pode topar com um item de hardware do seu sistema que não vai ter um driver para o Linux. Fazer funcionar um dispositivo deste no Linux pode se tornar uma dor de cabeça. No windows este problema praticamente não existe, já que todas as empresas fazem drivers for windows por padrão.
  • Disponibilidade de programas. Hoje em dia existem aplicações para todas as tarefas mais comuns no Ubuntu e todas elas com qualidade idêntica ou até superior àquelas do windows. Você irá encontrar um office, editores de imagens, editores de vídeos, audio players, browsers, programas de mensagem instantânea, clientes torrent, etc. Mas ainda pode existir algum  tipo de programa que você usa e que não consiga rodar no Linux nem possua uma versão para o mesmo. É difícil, mas não impossível. Se quiser tentar o Ubuntu, procure saber antes se ele possui alguma alternativa de qualidade para aquele programa que você usa bastante.
  • Jogos. Ponto fraco do sistema. Praticamente não existem jogos para linux, salvo alguns emuladores e uns poucos jogos nativos. Rodar jogos do windows no ubuntu não é impossível para alguns casos, mas é uma tarefa árdua. Se você usa seu pc para jogar, Ubuntu não é para você, infelizmente.

E pronto, é só. Sim, lembrando que nada impede que você instale os dois sistemas operacionais (Windows e Ubuntu) na sua máquina e aproveite as vantagens de cada um. Eu, se fosse você, arriscaria um teste. Pelo menos, você irá aprender algo novo e isto sempre é bom.

Publicado por: Big_DJouse | junho 7, 2010

Sobre o Príncipe da Persia (2)

Talvez apareçam spoilers mais à frente. Estejam avisados.

Como fã do jogo, não poderia deixar de assistir o filme. É por isso que fazem filmes baseados em jogos, afinal: lucro fácil com os fãs. E muitas vezes os filmes são, infelizmente, ridículos. Concordo que em alguns casos não é culpa dos roteiristas. Por exemplo, que raio de roteiro poderia existir em Street Fighter, Pac-Man, ou até mesmo um Tetris? Mas as vezes é visível a falta de empenho no projeto. Tipo, “bota aí qualquer coisa, só quem joga isso é quem vai ver essa merda”!

Admito que era essa a expectativa que fazia sobre Prince of Persia, o filme. Pra mim, na melhor da hipóteses, assistiria a um novo Piratas do Caribe. Talvez essa minha expectativa tão baixa seja responsãvel pela boa impressão que tive do filme. Gostei pacas.

Bem, não há nada demais no filme. Nada de novo. Historinha de ação que me remeteu aos Indiana Jones e ao  já citado Piratas do Caribe, sem muita firula no enredo nem muita escavação psicológica dos personagens. Talvez seja essa a razão do sucesso. Um  mais do mesmo fabricado para agradar. Nem sempre o arroz com feijão é ruim, principalmente quando o escopo do filme pede isso.

Temos outros acertos: o filme se baseou principalmente no primeiro jogo, o melhor na minha opinião, como já disse certa vez. O segundo jogo, com seu clima mais sombrio, não se encaixaria aqui de forma alguma. O terceiro é uma conclusão da saga, portanto poucos elementos teria a oferecer. O filme também expande a história do príncipe, dando-lhe uma família com irmãos e  tio e tirando seu sangue real. Modificações necessárias à trama que foram bem vindas.

Agora vamos aos escorregões:

– As cenas de ação são boas e, como esperado de um filme de ação,  mentirosas.  Mas deviam ser mais mentirosas!! Dane-se a física, queria ver o príncipe praticar cooper pelas paredes, que nem o jogo. Ou escalar prédios ricocheteando pelas muros.  Naquela parte que o chão cede dentro do templo, por exemplo, eu estava crente que Dastan iria pular “simiescamente”, de pedra em  pedra, até chegar onde estava Tamina. Que nada, no máximo ele escorregou “habilidosamente” até chegar num portãozinho lateral que estava milagrosamente posto ali. Outro problema são os cortes de câmera que dificulta acompanhar a ação em certos momentos.

– Jake Gillenhaal não deu um bom príncipe Dastan. Tinha cenas que pedia uma cara mais dura, mais resoluta,  e víamos só aquela cara de bocó dele. Acho que foi apenas displicência do ator.

– Se Tamina representava o mesmo papel de Farah (do jogo) dentro do enredo do filme, por que simplesmente não mudaram o nome e o figurino dela para o de Farah? Alguns fãs iriam aprovar a idéia.

Bem, é só. Assistam, vale a pena. Mas não exigam nada de mais do filme: é só diversão mesmo.

Publicado por: Big_DJouse | fevereiro 19, 2010

Sobre Silent Hill Shattered Memories

Dessa vez minha vítima será o Silent Hill Shattered Memories de PS2. É um quase bom jogo. Ou um bom quase jogo. Ou um jogo quase bom. Ou… melhor explicar essa história direito.

Primeiro, esse jogo não é bem lá um jogo, no sentido mais restrito da palavra. Afinal você não perde nunca. Nosso personagem principal não morre. No máximo, você desiste de jogar. Os quebra cabeças também são extremamente fáceis, não oferecem desafio algum. É até boa vontade chamar ações como abrir caixas de quebra cabeças.

Segundo, o jogo quase cria uma atmosfera de terror. Quase mesmo. O máximo que se pode achar de Silent Hill é que é um lugar muito estranho e vazio. Só. Até as partes do jogo chamadas de “pesadelos” são fraquinhas demais. Os silent hill 1 e 2 é que mostravam como se faz.

Terceiro, a história do jogo não faz sentido. Mas não é o “não faz sentido” bom como o do 1 e 2, que mal oferecem explicações. É sem sentido mesmo, com uma explicação fraquinha que só faz piorar toda a história. Sem falar que é uma cópia da premissa do Silent Hill 1: pai e filha sofrem acidente de carro, filha desaparece, pai sai feito um palerma procurando por ela.

Se o jogo tem alguma vantagem? Só uma, mas ainda assim a idéia foi muito mal desenvolvida. Aqueles testes de psicologia que procura catar informações do jogador para alterar o jogo de acordo com elas foram uma boa sacada. Mas foi bem mal usado, acho.

Veredito: podem jogar, afinal dá pra zerar numa tarde. Mas só se não tiver nada melhor pra fazer ou jogar.

Publicado por: Big_DJouse | fevereiro 3, 2010

Sobre Dragon Ball Evolution

O filme é tão ruim que nem merece um review caprichado. Mas não condeno os roteiristas. Quem já viu o anime, sabe o quanto sem pé nem cabeça é ele. Não dá pra tirar leite de pedra. Então, tá até perdoado.

Isso posto, tenho só um crítica relevante: as lutas, ponto alto do anime, são muito ruins (e poucas). O diretor adora aquela droga de câmera lenta de Matrix, usa em praticamente tudo. Tô brincando não, ele usa tanto que você  perde o rumo da ação. E a luta final entre Goku e Piccolo, que deveria ser o clímax  do filme, praticamente não existe.

Bem, resumindo, serve só pra fã (talvez nem eles) e criança. Assista se quiser perder umas horas da sua vida.

Publicado por: Big_DJouse | janeiro 6, 2010

Sobre assassinos e confidentes

Não tive um filho ainda. Plantar árvores, falta o onde. E meu livro ainda não saiu do primeiro capítulo. Mas pelo menos tenho um feito para me orgulhar (?) na vida: fui confidente de um assassino. Contarei a história.

Era noite, estava frio e escuro. Nenhuma alma sequer vagava pelas ruas. Nem a lua surgiu no céu, talvez com medo de que algum mal lhe acontecesse caso desse as caras. Eu estava perdido com meus pensamentos, ignorando o perigo de esperar um ônibus naquele ponto, naquela noite. Na verdade, nada disso aconteceu. O ponto de ônibus era perto da minha casa, era cedo da noite, estava claro e tinha gente por perto. Mas achei que ia ficar legal assim, meio dramático. Sabe como é, criar clima, etc.

Pois bem, estava lá eu quando veio um simpático senhor, seus 60 e poucos anos e aproximou-se de mim. Logo imaginei: “droga, vai querer puxar conversa”. Dito e feito.

– Que horas são?

– Sete horas.

– É,  ainda tem tempo.

– !?

Bem, fiquei na minha. No mínimo era um gancho para encaixar uma conversa. Se eu fosse tolo, iria perguntar “tempo pra quê?” e aí ele iria me contar uma história enorme e  maçante. Não obstante, o velho sentou-se ao meu lado e prosseguiu na sua “filosofação”:

– O tempo corre, viu? Antigamente eu olhava pra cima pra falar com as pessoas. Depois eu passei a olhar pra baixo. Hoje em dia eu olho pra cima de novo.

– É mesmo.

Tentei ser educado e mostrar que não estava afim de papo. Obviamente ele captou apenas a primeira mensagem:

– O senhor já tem filho?

Fiquei encucado com o “senhor”.

– Não, não.

– Ah, eu tenho. E tenho três netos. O senhor me dá quantos anos?

– Sessenta e poucos – respondi.

– Tenho oitenta e um.

– Não parece – fiz-me de impressionado, mas ainda não querendo conversa.

– Pois é, já vivi muito. Já fui  rico, já passei fome.

– …

– Meu pai me  expulsou de casa quando eu tinha 17 anos.

Pronto, agora deslanchou de vez, pensei. Vai me contar a história da vida toda. Já que chegamos até aqui, não custa nada ouvir o velho. Minha boa ação do dia.

– E me deixou sem dinheiro nenhum, nem direito à herança. Morei na rua, passei fome. Isso é coisa que um pai faça, companheiro?

Pelo menos fui promovido de senhor a companheiro…

– Não, senhor.

– Pois é. Meu pai tinha uma irmã que vivia maltratando minha mãe. Sempre falava um monte de besteira com ela. Eu sempre via minha mãe chorando e meu pai não fazia nada.

– …

– Eu dizia a minha mãe: “Se preocupe não, mãe, quando eu crescer eu dou um jeito nisso”. Era tarefa de uma criança resolver isso, companheiro?

– Claro que não! – respondi, já intrigado.

– Pois foi. Quando fiz 17 anos, matei minha tia.

– O_O.

Sim companheiros, foi esta a cara que fiz. Palavras não descrevem melhor que este emoticon. Felizmente o velho não notou, estava absorvido pelas lembranças do passado.

– Meu pai não me botou na cadeia. Disse só isso: “Saia da minha frente que não quero lhe ver nunca mais”.

– Puxa… – eu realmente não tinha o que dizer.

– Mas pelo menos o que fiz deu resultado. A família do meu pai passou a respeitar a família da minha mãe toda.

É, nem desconfio o porquê.

– Soube que meu pai se casou de novo e teve três filhos. Depois que ele morreu, eles ficaram com toda a herança dele. Meu pai tinha dinheiro, era dono de fazenda grande. Eu vi nem a cor do dinheiro dele. Foi justo isso, companheiro?

– Claro que não!

Claro que não iria discordar dele.

– Pois é. Eu até choro quando lembro dessa história.

De fato ele estava chorando.  Soltei essa pra ver se ele se animava:

– Então vamo se lembrar de coisa boa, homem.

– Ah, mas é assim mesmo. É a vida.

– Eita, chegou o ônibus.

Finalmente, vinha o ônibus. Salvo, pensei. Mas e se ele fosse se sentar do lado do meu banco e continuasse o papo? Felizmente isso não aconteceu. Ele entrou pela frente, já que era idoso, e pareceu se esquecer de mim. Só quando eu já ia descer do ônibus, quando acenei pra ele, ele respondeu meu aceno. Depois disso, nunca mais o vi. Talvez tenha cometido outro assassinato e teve que picar a mula. Sei lá, a pessoa pode tomar gosto pela coisa. E não tivemos tempo para conversar sobre outros assassinatos que ele possa ter cometido. Pensando bem, se eu não voltar mais aqui, vocês já sabem o que aconteceu.

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